Enquadramento

Importa assegurar, ao longo da vida, a disponibilidade e o acesso a oportunidades significativas de aprendizagem (WHO, 2015). Deste modo, a educação contínua ao longo da vida deve surgir integrada com o desenvolvimento progressivo dos cuidados de saúde. Atualmente, os avanços tecnológicos em saúde criam novas oportunidades de intervenção de enfermagem, mas também colocam desafios aos profissionais de saúde que procuram cuidar cada vez melhor da população, respondendo paulatinamente às suas demandas (Samare, et al., 2019). O desenvolvimento de competências de enfermagem de prática avançada em exames especiais permite a capacitação dos enfermeiros para o desempenho de funções numa área de saúde emergente face ao atual desenvolvimento tecnológico em saúde. A tecnologia deve ser utilizada como recurso para melhor cuidar e como meio para conhecer a pessoa, individualizando desta forma a prestação de cuidados, constituindo-se como meio de prestação de cuidados e não como um fim em si (Locsin, 2013), sendo que o enfermeiro mobiliza a informação obtida por meio dos recursos tecnológicos de monitorização, diagnóstico ou intervenção terapêutica como meio para antecipar problemas e prevenir complicações. O desenvolvimento de cuidados de enfermagem individualizados ao cliente e família antes, durante e após a realização de exames especiais requer uma formação direcionada não apenas para as suas especificidades, mas sobretudo para o garante da segurança e conforto da pessoa. A promoção de uma cultura organizacional de segurança em saúde exige uma abordagem compreensiva das necessidades da pessoa e família (PNSD, 2021). A vigilância, enquanto essência do cuidar de enfermagem, permite o reconhecimento atempado de riscos pelo enfermeiro, que permanece pronto para agir em caso de evento adverso (Meyer & Lavin, 2005). É essencial ainda que a vigilância do enfermeiro para a segurança da pessoa possa ser comunicada e documentada de forma eficaz. A prestação de cuidados seguros e efetivos durante todas as fases dos exames complementares requer ainda o envolvimento da família, enquanto parceira dos cuidados, fomentando processos de educação para a saúde que se traduzam em ganhos de saúde, tais como a diminuição de complicações no período pós-exame especial e os reinternamentos (Rodríguez-Gonzalo et. al., 2015). Deste modo, importa capacitar os enfermeiros para a identificação das necessidades da pessoa e família, para que selecionem de forma fundamentada as intervenções que a eles se aplicam, bem como na avaliação da eficácia dos resultados. A intervenção de enfermagem em exames especiais requer conhecimentos e competências técnico-científicas muito específicas face às particularidades na preparação da pessoa, no acompanhamento e no encaminhamento em cada um destes exames especiais (Fichbach & Dunning, 2013). O conforto da pessoa durante os exames especiais é uma dimensão da intervenção de enfermagem que contempla a gestão do desconforto físico, nomeadamente através da gestão da dor, mas também a promoção do conforto ambiental, através da gestão da temperatura e ruído, e ainda a atenção ao conforto psicológico e sociocultural, que requer a gestão da ansiedade face ao exame e o possível envolvimento da família, enquanto presença apaziguante. A promoção do conforto exige um conhecimento aprofundado da situação de cuidados e sobretudo da pessoa de quem se cuida (Kolcaba, 2003), contribuindo para a qualidade dos cuidados em saúde. A humanização dos cuidados de saúde numa perspetiva centrada na pessoa e família, em detrimento do exame especial, é um alicerce importante para a promoção contínua da qualidade em saúde (McCormack & McCance, 2017), pelo que faz sentido uma formação direcionada aos enfermeiros que atuam nestes contextos de intervenção específica, dotando-os de competências para melhor cuidarem da população. 

Referências: 
Despacho n.º 9390/2021 de 24 de setembro (PT). Aprova o Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 (PNSD 2021-2026). Diário da República n.º 187/2021, Série II - Ministério da Saúde.

Fichbach, F. T. & Dunning, M. B. (2013). Exames Laboratoriais e Diagnósticos em Enfermagem (9 ed.) 729 p. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. ISBN 9788527715966.

Kolcaba, K. (2003). Comfort Theory and Practice - a vision for holistic health care and research. Springer Publishing Company. ISBN: 9780826116338.

Locsin, R. C. (2013). Technological Competency as Caring in Nursing: Maintaining Humanity in a High-Tech World of Nursing. Journal of Nursing and Health Sciences, 7, 1–6.

McCormack, B. & McCance, T. (2017). Person-Centred Nursing and Health Care: Theory and Practice. 288 p. Oxford: Wiley. ISBN: 978-1-118-99056-8.

Meyer, G., & Lavin, M. A. (2005). Vigilance: the essence of nursing. Online journal of issues in nursing, 10(3), 8. https://doi.org/10.3912/OJIN.Vol10No03PPT01

Rodríguez-Gonzalo, A., García-Martí, C., Ocaña-Colorado, A., Baquera-de-Micheo, M. & MorelFernández, S. (2015). Efficiency of an intensive educational program for informal caregivers of hospitalized, dependent patients: cluster randomized trial. BMC Nursing, 14(1), 1-12. https://doi.org/10.1186/s12912-015-0055-0

WHO (2015). Health 2020: Education and health through the life-course. WHO: World Health Organization.

Samare, et al. (2019). What Is Next for Patient Preferences in Health Technology Assessment? A Systematic Review of the Challenges. Value in Health, 22 (11), 1318-28. https://doi.org/10.1016/j.jval.2019.04.193