Séniores

Aqui destacam-se colegas que acabaram a sua formação há já algum tempo, e como tal já têm uma experiência acumulada que valerá a pena partilhar.

Não há espaço para todos... Seriam necessárias tantas páginas adicionais neste portal quantos os enfermeiros que frequentaram e concluíram a sua formação na ESEL... Daremos pois conta de alguns, na esperança de que aqueles que aqui encontrarmos representem todos os outros, reforçando o sentido de identidade que a todos seguramente une!

E porque a história da ESEL não se cumpre apenas desde 2007, e se nutre também do percurso das quatro anteriores escolas públicas de Lisboa, daremos também visibilidade a alumni destas instituições.

 

 

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Nome: Ana Elisa Coelho

Ano de conclusão do curso: 2006

Local de trabalho atual: Linde Saúde

Funções exercidas: Patient Care Specialist Remeo Home

 

“...sinto que tive muita sorte nos momentos mais críticos da minha formação, por ter tido professores que foram verdadeiros mentores, que me inspiraram e guiaram no desenvolvimento do meu percurso formativo.”

 

Um livro: (exercício cruel!!!) Cem anos de solidão
Um hobby: Ler
Um prato: Pasta
Um acontecimento simples que o/a faça sorrir: Presenciar o acender dos candeeiros de rua
Uma coleção: Livros
Um momento: Uma estrela cadente
Uma viagem: Toscana
Um lugar: Beira-mar
Um lema: “Chega onde tu quiseres, mas goza bem a tua rota”
A família: Raiz de tudo
A ESEL (um momento): A defesa de Mestrado

 

Na candidatura ao Ensino Superior, o que a levou a escolher o curso de Enfermagem?

Quando comecei a pensar no que gostaria de fazer profissionalmente, a primeira certeza que tive foi que gostaria de trabalhar na área da saúde. A Enfermagem atraiu-me particularmente pela diversidade de contextos em que se pode fazer o seu exercício e por isso decidi tentar. Ao fim de poucos meses de curso senti que estava no sítio certo.

E qual a razão para se ter matriculado na ESEL em particular?

Para a minha formação inicial matriculei-me na Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian, uma das quatro escolas percursoras da ESEL. Quando procurei formação pós-graduada, a ESEL acabou por ser uma escolha natural, precisamente por representar um regresso a uma cultura de formação com a qual me identifico, e por ser uma instituição de reconhecida qualidade. 
 

Que memórias lhe ocorrem quando recorda a sua vivência na Escola?

Muitas! Foram anos muito intensos. Mas as melhores memórias que guardo prendem-se, sem dúvida, com os laços criados pois, quer na formação inicial, quer no Mestrado, fiz amizades que foram além do contexto académico e profissional. 
Da mesma forma, sinto que tive muita sorte nos momentos mais críticos da minha formação, por ter tido professores que foram verdadeiros mentores, que me inspiraram e guiaram no desenvolvimento do meu percurso formativo.

Como foi o início da sua prática? Em que contexto ocorreu?

Comecei a minha prática profissional num serviço de Medicina Interna, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Apesar de ter sido a minha primeira escolha e essa decisão ter vindo no seguimento da realização do estágio de integração à vida profissional num serviço similar, foi um grande desafio enquanto recém-licenciada. Sobretudo nos primeiros anos os recursos eram muito escassos, mas foi uma experiência riquíssima e basilar para a minha formação.
 

Foi fácil encontrar trabalho nesse ano? Recorda-se quanto tempo aguardou para que surgisse a primeira oportunidade profissional?

Sim, foi provavelmente o último ano em que se pode dizer que tenha sido fácil. Em pouquíssimas semanas após o final do curso estava a trabalhar e pude escolher, pois estava em vários processos de candidatura e fui chamada para todos.
 

Qual foi a mudança mais significativa para a evolução do seu percurso profissional?

A mudança mais significativa – e a mais inesperada também, no sentido em que não era algo que tivesse alguma vez idealizado – foi a saída do SNS para a empresa onde trabalho actualmente.

Em que medida a ESEL a preparou para o seu percurso profissional? O que diria que aprendeu de mais precioso na escola com utilidade para a sua prática profissional?

Considero que a formação inicial de um enfermeiro é bastante abrangente, precisamente porque, por um lado, a nossa prática exige competências muito diversificadas e, por outro, acontece em contextos simultaneamente muito variados e específicos. Mas o currículo do curso que frequentei era sólido e havia uma grande preocupação com a integração teórico-prática que, no meu entender, foi fundamental e diferenciador.
Penso que, da formação inicial, trouxe a noção da imensidão do que há ainda e sempre para saber, a procura do rigor, o sentido crítico e a valorização do trabalho de equipa.
A formação pós-graduada, (o curso de Geriatria e sobretudo o Mestrado em Reabilitação), surge numa continuidade destas aquisições. Acrescentou-me sobretudo uma visão mais completa da pessoa cuidada e muniu-me de ferramentas para encontrar (ou continuar a procurar) respostas para desafios mais específicos da minha prática.
 

Seguiu, após o termino da formação inicial, alguma formação avançada ou de outra natureza?

Sim. As mais relevantes foram a Pós-Graduação em Geriatria, em 2008, e o Mestrado em Enfermagem de Reabilitação, em 2013/14.
 

Poderia descrever-nos que funções desempenha atualmente?

Actualmente trabalho na área dos Cuidados Respiratórios Domiciliários e presto cuidados sobretudo a doentes insuficientes respiratórios crónicos, que se encontram sob ventilação mecânica (e outras terapias) no contexto domiciliário.
Entre as minhas principais responsabilidades contam-se o acompanhamento e monitorização destes utentes no domicílio, a sua capacitação/da família para o manejo dos diferentes dispositivos médicos, bem como para a identificação e gestão de sinais e sintomas, e a articulação com as equipas hospitalares de referência.

Quais são as suas maiores ambições, por onde gostaria que passasse o seu percurso?

Tenho vindo a construir o meu percurso profissional de acordo com o que me faz sentido a cada ano, em cada momento; nunca tive um plano muito concreto ou uma meta específica que quisesse atingir. E a verdade é que foram surgindo oportunidades que nunca tinha sequer considerado.
Há, contudo, uma dimensão que tem emergido no meu interesse em todas as experiências profissionais que tenho tido, e que diz respeito à importância da literacia em saúde na relação dos cidadãos com os seus processos de saúde/doença. Ainda não decidi exatamente como irei explorar esta temática, mas gostava de me dedicar a ela, como projeto de desenvolvimento profissional futuro.
 

É o Enfermeiro que se imaginou ou ainda falta algo para estar mais próximo do Enfermeiro que deseja ser?

A minha preocupação sempre foi ser, a cada dia, a melhor enfermeira que consigo ser, para cada utente com que me cruzo, em particular. Pode parecer um lugar-comum, mas acredito que há sempre espaço para o crescimento e que, à medida que os anos e as experiências se acumulam, a enfermeira que desejo ser é sempre aquela que sei que serei uns passos mais à frente.
 

Acharia útil o estabelecimento de uma rede alumni da ESEL? Para que poderia ser útil na sua prática enquanto Enfermeiro/a?

Sim, sem dúvida. Pode ser um ponto de contacto importante para profissionais que, de alguma forma, partilham um passado e uma cultura de formação, bem como uma fonte de informação e apoio para novos estudantes, por exemplo. 
Da mesma forma, poderia ser uma rede catalisadora de um maior contacto da comunidade de ex-alunos com a própria instituição, através da promoção de eventos formativos e partilhas de experiências entre profissionais com interesses ou áreas de intervenção comuns, estreitando assim também as relações entre a academia e a práxis.