ESEL Alunos

5º Aniversário da ESEL

Mensagem do Provedor do Estudante para o 5º Aniversário da ESEL...



Saúdo todas as pessoas da mesa, e porque todos são construtores da ESEL, a todos dou os meus parabéns por mais um aniversário.
O mesmo afirmo em relação à assembleia e gostaria de me dirigir de modo especial aos estudantes (lamentando estarem tão poucos!).
Caros estudantes:
Muitas das pessoas que aqui estão, sobretudo as mais velhas – e vem a propósito do tema aqui invocado este ano, nomeá-las - têm sido obreiras incansáveis de um projecto que nos é muito caro: a dignificação da profissão de enfermagem e para isso, a dignificação da formação dos/as enfermeiros/as. As mudanças ocorridas ao longo dos últimos 50 anos, as que me foi dado viver, porque foi precisamente há 50 anos que entrei no Curso de Enfermagem, têm na história desta Escola um exemplo paradigmático. Essas mudanças devem muito ao forte investimento humano, e não só, ao serviço do rigor, da exigência, em vista à formação de profissionais competentes, capazes de assegurar cuidados de enfermagem de qualidade às pessoas que deles precisam. Ao mesmo tempo, foi feito um importantíssimo trabalho, também com outras escolas do país, que permitiu colocar a formação em enfermagem no espaço académico que hoje ocupa e criando justas expectativas da ESEL numa integração na UL. 
Quando tudo parecia estável, seguro, adquirido, dado como certo, eis que o mundo, o nosso mundo, fica de pernas para o ar e a incerteza instala-se.
A esperança do emprego garantido no fim do curso, esvaiu-se, a expectativa de carreia fragilizou-se, as relações entre Ensino Superior Politécnico (ESP) e Ensino Universitário (EU) estão carregadas de ambiguidade. Os órgãos da tutela parecem apostar numa aproximação entre EP e Ensino Secundário, profissionalizante (Programa Prós e Contras da RTP1 no dia 19 de Novembro) quando me parece a mim, como a muitos outros, mais sensato a cooperação entre os dois subsistemas de Ensino Superior. 
 Ao mesmo tempo, observamos que o campo de acção da enfermagem, se alarga cada vez mais com o aumento da longevidade e consequente vulnerabilidade dos mais velhos; com a sobrevida de doentes crónicos e portadores de deficiências; com a necessária expansão de cuidados paliativos/em fim de vida. (recordo o programa “Mudar de Vida”, na RTP1, na 2ªfª, 2 de Dezembro). Mas também com a necessidade de agir na promoção da saúde e prevenção da doença, junto dos mais velhos. 
  É pois necessário tomar medidas que preservem o que foi conquistado em favor dos cuidados que só os/as enfermeiros/as devem prestar: o nível da formação e a competência (tão apreciado no estrangeiro). E, preservar o que foi conquistado, não vai ser tarefa fácil!
Mas já não podem ser os muitos que construíram este caminho que podem tomar em mãos essa tarefa. Por mais ativo que seja o nosso envelhecimento, não podemos ser nós a assumir essa responsabilidade. 
Caros estudantes, essa responsabilidade é vossa! É preciso estar muito atento ao que se vai passando na sociedade portuguesa, e, no vosso caso, no âmbito ES e no âmbito dos cuidados de saúde. Cabe-vos a vós serem os guardiões da qualidade da formação a que têm direito e da qualidade dos cuidados de saúde que terão de prestar aos que deles precisam.
Para isso há que investir na participação em ações coletivas, há que cooperar com a Associação de Estudantes, há que intervir nos órgãos em que têm representação, interpelar os vossos professores, dar sugestões que ajudem a escola a melhorar o seu desempenho.
Há que ter pensamento político sobre o que se passa à vossa volta e não se demitir da intervenção.
Decerto a maioria de vós viu num noticiário, há algum tempo atrás, ou nas redes sociais, o lamento de um jovem enfermeiro pelo facto de ter de emigrar. Eu vi e, pode ser que vos escandalize mas… não gostei!
Não gostei do discurso, não gostei dos argumentos, não gostei do ar “pedinte”!
Gostei muito dos que se recusaram a trabalhar a 3 euros à hora! Pode ser que só se possa ganhar tão pouco mas não pode ser a fazer enfermagem e a assumir que se está a desempenhar o papel de enfermeiro.
A vossa afirmação tem de fazer-se com convicção, uma afirmação de direitos, de exigência na ação, relativamente aos cuidados. É preciso provar que os enfermeiros são imprescindíveis e dizê-lo bem alto de forma fundamentada em todos os locais possíveis. E mais do que dizê-lo, demonstrá-lo na ação quotidiana, já, durante os estágios. A atenção ao outro, á pessoa que está ao vosso cuidado, tem que ser superior à atenção que se dá ao ecrã do computador. Por mais que isso seja importante!
Caros estudantes estejam alerta e preparem-se para lutar com as melhores armas que têm: o vosso conhecimento, o rigor e a ética no pensamento e na ação.
As coisas não estão fáceis e não vão melhorar tão depressa. É necessário atender ao essencial. Por favor ACORDAI!

                                                                                                   Lisboa, 5 de Dezembro de 2012
                                                                                                         Lisete Fradique Ribeiro
                                                                                                       (Provedora do Estudante)