ESEL Alunos

Teatro em Andamento


O grupo de teatro da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa – Teatro Andamento – nasceu há cinco anos, na sequência da iniciativa de um grupo de estudantes. Este grupo surge na sequência da experiência de integração de mediadores artísticos no ensino da enfermagem, cujo principal rosto se centrava na figura da saudosa Professora Arlete Canhoto Abreu, um legado que tem sido assumido por alguns docentes da escola.

A ela, o nosso sentido e significativo abraço. Abraço Colectivo…

Em 2004, quando nos começámos a juntar todas as semanas à volta de diferentes propostas, na relação com o espaço, na relação com nós próprios, o que nos alimentava era a necessidade de dar voz/ expressão à nossa matéria indizível, ao nosso universo de vivências/ memórias por significar, sejam de elas de natureza pessoal, académica ou profissional. Estávamos a iniciar os primeiros ensinos clínicos, o confronto com momentos de vida e morte profundamente transformadores que urgia valorizar de uma outra forma.
 
Nada mudou passados cinco anos. Nada.

Quando pensamos nos nossos diferentes momentos de criação, sentimos que todos eles atravessam problemáticas centrais das nossas vidas. O espectáculo “O que esperar de nós? ”, tentou responder a angústia primeira do homem, da condição humana – Qual o móbil das nossas vidas, o que andamos aqui a fazer, o que me cabe a mim fazer, porque estou vivo – interrogações que acompanharam cada um daqueles personagens. Em seguida, trouxemos “O Gato”, uma criação que nos fala do AMOR, da possibilidade de renascer nesse sentimento, na certeza de que o mesmo afronta com toda a firmeza as nossas fragilidades e inseguranças. Num terceiro andamento, surge “A Morte é uma flor”, uma peça dramatúrgica que visou trazer a morte para bem perto de cada um de nós. Quisemos perceber como é que a morte de nos pode ajudar a viver melhor as nossas vidas. Neste momento, estamos a construir um outro espectáculo com título provisório “Em que idade do coração se apaga o sorriso dos homens?”, que nos tem acompanhado nessa viagem ao sotão da infância de cada um de nós. Queremos celebrar esse momento, queremos trazê-la para o momento presente, para o instante imediato.

Diferentes andamentos, o mesmo impossível tornado possível.

Assumir um personagem, mergulhar num outro, investirmo-nos de uma outra vida, de um outro conjunto de experiência humanas, remete-nos para diferentes dimensões no domínio da relação eu-outro. Relação com uma personagem, relação com um palco vazio, relação com o espectador, relação com o seu próprio corpo, único material de criação artística. Este é o desafio que vivemos semanalmente, este é o desafio que propomos em cada espectáculo a cada espectador, que nos acompanhe nessa ambivalência entre o eu-personagem e o eu-pessoa.
 
O Palco está vazio. Espera cada um de nós, espera cada um de vós.

Para mais informações: t.andamento@gmail.com